ABA
Guias de ABA para registros e gestão da clínica
Resposta curta: documentar bem em ABA é registrar o que foi observado, em quanto tempo e em quantas oportunidades, com a legenda da equipe à vista. A escolha clínica fica com a supervisão. Estes guias cobrem coleta de dados, tentativa discreta, dicas, linha de base, planos e escolha de software, sem prescrever conduta.
O que é ABA e o que estes guias cobrem
ABA é a sigla de análise do comportamento aplicada. Estes guias cuidam de uma parte do trabalho: o registro. São escritos para quem está na clínica, da analista à equipe de aplicação, da supervisão à coordenação. O que ensinar, com qual procedimento e em que intensidade são decisões da supervisão ou da analista responsável pelo caso, com base na avaliação, e por isso não aparecem aqui como receita.
Os exemplos são sintéticos. A "criança A." e os programas citados não existem, e cada conta pode ser refeita com uma calculadora.
ABA também não é um método único. A literatura da área, como o livro de Cooper, Heron e Heward (Applied Behavior Analysis, 3ª ed., 2020), descreve conceitos de medida, ajuda e análise que cada clínica organiza do seu jeito. Vale ler na íntegra, com a equipe, a Nota Técnica CFP 23/2025, sobre o uso de ABA no cuidado a pessoas autistas, e a Nota Técnica ABPMC 01/2025, sobre intervenções baseadas em ABA para TEA.
No texto, usamos "pessoa autista" e "criança autista" como padrão, respeitando a preferência de cada família, e "pessoa com TEA" quando o contexto é legal ou diagnóstico. A Lei 12.764/2012 considera a pessoa autista pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
Como documentar bem
Documentar bem é deixar escrito o que foi observado, com a medida e o contexto, de modo que outra pessoa da equipe entenda o dado sem precisar perguntar. Uma frase como "foi bem na sessão" não permite isso. Um registro como "7 respostas independentes em 10 oportunidades, com 2 ajudas gestuais e 1 recusa" permite.
Quatro perguntas organizam o registro de qualquer sessão. O que foi contado, e como esse comportamento foi definido? Em quanto tempo ou em quantas oportunidades? Que ajuda houve antes da resposta? E o que a criança comunicou sobre o próprio bem-estar, como recusa, pedido de pausa ou sinais de desconforto? Esse último ponto é dado clínico, não detalhe: o assentimento da criança entra no registro junto com o resto.
Para psicólogas e psicólogos, a referência do registro documental é a Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010. Documentos escritos para terceiros, como relatórios e laudos, seguem a Resolução CFP 06/2019, que não é a norma do prontuário. Outras profissões da equipe têm normas próprias, e cada profissional confere a sua.
Escolher a medida
A medida certa depende da pergunta que a equipe quer responder, e quem decide qual é essa pergunta é a analista responsável pelo caso. Contar quantas vezes algo aconteceu, medir quanto durou, medir quanto demorou a começar ou registrar a presença em intervalos respondem perguntas diferentes, e misturar os métodos no mesmo gráfico gera leituras erradas.
O guia Coleta de dados ABA: registro, medidas e limites percorre esse caminho: definição operacional do comportamento, diferença entre tentativa e evento, frequência, taxa, duração e latência, e a conferência do registro. Ele também separa uma distinção que costuma se perder, a de dado ausente versus zero. Uma sessão cancelada não tem zero acertos, tem dado ausente, e o gráfico precisa mostrar isso.
Quando o ensino é organizado em tentativas, o registro tem um desenho próprio. O guia DTT em ABA: como registrar tentativas cobre a tentativa discreta (DTT, na sigla em inglês): o que registrar em cada oportunidade, o que conta como resposta independente, como fechar o denominador e quais erros de contagem aparecem com mais frequência. Ele também mostra o que muda no registro quando parte do trabalho acontece em situações naturais.
Plano e revisão
O plano é o documento que dá sentido ao registro, porque diz o que cada dado está medindo. As siglas variam muito: PEI, PTI e PIC aparecem com significados diferentes conforme a clínica, a escola e o plano de saúde, e a mesma sigla pode apontar para documentos distintos. A pergunta útil é sempre a mesma: quem vai ler, para quê, e o que ele precisa conter.
O guia PEI, PTI e PIC em ABA: diferenças e registro separa plano escolar e plano clínico, propõe uma estrutura em branco para objetivos operacionais e aborda revisão periódica e controle de versão. Há uma seção sobre avaliações aplicadas: o plano pode referenciar o instrumento usado pela equipe, mas não deve copiá-lo.
Compartilhar um plano com a escola ou com a família é um ato de tratamento de dados. A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dado de saúde como dado pessoal sensível, no art. 11, e dedica o art. 14 aos dados de crianças e adolescentes, que devem ser tratados em seu melhor interesse. Antes de enviar, vale escrever a finalidade, a parte do plano que serve a ela e quem vai receber.
Linha de base, domínio e gráfico
O gráfico só ajuda a decidir quando se sabe de onde a criança partiu e o que a equipe combinou chamar de alcançado. Por isso a linha de base vem antes da intervenção e o critério de domínio é escrito antes de a equipe olhar os dados. Quantas sessões de linha de base bastam e qual estabilidade se espera são decisões da supervisão, e o guia não as impõe.
O guia Domínio e linha de base em ABA: como registrar traz um exemplo sintético conferido com denominadores, aborda manutenção e generalização, e explica o que um gráfico mostra e o que ele não prova. Uma curva subindo descreve o que aconteceu, e a causa dessa subida não sai do gráfico sozinha. A mudança de fase também precisa de data e de motivo escritos.
Para montar o gráfico, há a ferramenta Gráfico ABA online com linha de base e fases. Ela roda no navegador, separa o dado ausente do zero e marca a mudança de fase. Nada do que você digita é enviado a servidor.
Supervisão e legenda da equipe
A supervisão define a legenda que a equipe usa, e o registro só é comparável entre sessões e entre pessoas quando todos leem a legenda do mesmo jeito. Isso vale especialmente para as ajudas: os tipos de dica, a ordem em que são usadas e o que conta como resposta independente precisam estar escritos.
O guia Hierarquia de dicas ABA: legenda e registro não propõe uma hierarquia universal. Ele mostra como documentar a que a supervisão definiu, como registrar a versão da legenda, como anotar o esvanecimento da ajuda e como comparar dados quando o nível de ajuda mudou no meio do período. Se a legenda mudou, o registro precisa dizer em que data.
A correção do registro também é documental. Uma contagem errada se corrige com a data, o motivo e quem corrigiu, e o valor antigo fica legível. Apagar e reescrever esconde o que aconteceu e dificulta a revisão pela supervisão.
Convênio e documentos para terceiros
Registros de ABA costumam sair da clínica em algum momento: para a escola, para a família, para a operadora de plano de saúde. Cada destino pede um documento com finalidade própria, e o documento de saída é produzido a partir do registro, não é o próprio registro.
Cobertura, faturamento e regras de operadora dependem de contrato, de norma específica e de revisão especializada. O que cabe aqui é a pergunta prática de quem escolhe uma ferramenta: o que ela exporta, em que formato, e se a clínica consegue sair dela levando seus dados. O guia Como escolher software ABA para sua clínica organiza isso em um checklist de critério, pergunta e prova, com seções sobre uso sem conexão, dados de criança e LGPD, exportação, custo total e convênio, e termina sugerindo um teste com dados sintéticos antes de migrar qualquer coisa.
Direitos e assentimento da criança
Registrar o assentimento é registrar que a criança também participa da decisão. Quando ela recusa, pede pausa ou mostra sinais de desconforto, isso entra no dado da sessão com o contexto. A equipe e a supervisão leem esses registros ao revisar o plano.
Nem toda criança comunica o desconforto por fala, e não falar não equivale a não compreender. O registro precisa prever outras formas de comunicação, como gestos, pictogramas, afastamento ou mudança de postura, e a equipe combina por escrito quais são os sinais conhecidos de cada criança. A família também é fonte de informação sobre esses sinais, e identificar de onde veio cada informação evita atribuir à observação da equipe o que foi dito por outra pessoa.
Índice de recursos
Guias
| Guia | Para que serve |
|---|---|
| Coleta de dados ABA | Definir o comportamento, escolher a medida, conferir denominador e corrigir o registro |
| DTT em ABA | Registrar tentativas: oportunidade, ajuda, resposta e resultado |
| Hierarquia de dicas ABA | Documentar a legenda de ajudas definida pela supervisão e suas versões |
| Domínio e linha de base | Registrar linha de base, critério de domínio, manutenção e generalização |
| PEI, PTI e PIC | Organizar objetivos, revisão e responsáveis do plano |
| Como escolher software ABA | Comparar critérios com prova antes de contratar |
| Análise funcional (ABC) | Registrar antecedente, comportamento e consequência no prontuário |
Novos guias da série entram na lista de cards abaixo assim que são publicados.
Ferramentas grátis
- Folha de registro ABA para imprimir: folha própria para imprimir ou editar, com instruções, legenda e exemplo sintético. Baixe sem cadastro e revise com a supervisão.
- Gráfico ABA online com linha de base e fases: gráfico montado no navegador, com mudança de fase e dado ausente separado do zero.
Se você trabalha como psicóloga ou psicólogo de consultório e usa a análise do comportamento na sua prática, a página Prontuário para análise do comportamento mostra o que a conta do Sinthoma faz hoje por esse trabalho e quais são seus limites.
Edição ABA do Sinthoma
A Edição ABA do Sinthoma, pensada para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. Ela ainda não está disponível, e nada do que está descrito nos guias acima depende dela: as folhas, o gráfico e os textos funcionam sozinhos. O que já existe e o que vem a seguir estão na página da Edição ABA.
Guias deste tema
- ABA10 min
Coleta de dados ABA: registro, medidas e limites
Entenda como organizar a coleta de dados em ABA, escolher o registro e conferir denominadores. Com exemplo sintético e folha própria para baixar.
- ABA9 min
DTT em ABA: como registrar tentativas
Saiba como documentar uma tentativa discreta em ABA: oportunidade, resposta, ajuda e resultado. Exemplo sintético e folha própria de registro.
- ABA9 min
Hierarquia de dicas ABA: legenda e registro
Organize a legenda de dicas usada pela equipe em ABA, registre mudanças e preserve a interpretação dos dados. Sem hierarquia universal imposta.
- ABA10 min
Domínio e linha de base em ABA: como registrar
Registre linha de base, critério de domínio, manutenção e generalização em ABA. Exemplos documentais com denominadores e limites explícitos.
- ABA9 min
PEI, PTI e PIC em ABA: diferenças e registro
Entenda PEI, PTI e PIC em ABA, seus usos e limites. Organize objetivos, revisão e responsáveis com estrutura própria e sem copiar instrumentos.
- ABA10 min
Como escolher software ABA para sua clínica
Compare coleta, gráficos, supervisão, exportação e TISS antes de contratar um software ABA. Checklist com evidências e limites de cada critério.
- Análise do Comportamento6 min
Análise funcional (ABC): guia prático de registro
A análise funcional ABC é o instrumento de avaliação central da análise do comportamento. Saiba como montar e documentar corretamente no prontuário.
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Supervisão em ABA: o que registrar na revisão de dados e na orientação da equipe
O que registrar na supervisão em ABA: data da revisão, decisão do programa com motivo, orientação ao aplicador e assinatura de quem responde pelo caso.
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Protocolos de avaliação em ABA: como registrar VB-MAPP, ABLLS-R e outros sem copiar o instrumento
Como registrar avaliações como VB-MAPP e ABLLS-R no prontuário de ABA: nome, versão, data, quem aplicou e resultado resumido, sem reproduzir o instrumento.
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Ensino naturalístico (NET) em ABA: como registrar oportunidades da rotina
Como registrar o ensino naturalístico (NET) em ABA: contexto, iniciativa, ajuda, resposta e o denominador de oportunidades observadas. Exemplo sintético.
Perguntas frequentes
ABA é um método único?
Não. ABA é a sigla de análise do comportamento aplicada, um campo com vários procedimentos e formas de organizar o registro. Cada clínica e cada caso fazem escolhas próprias, definidas pela analista responsável com base na avaliação. Estes guias tratam da documentação e não indicam qual procedimento usar.
Como registrar uma sessão de ABA?
Registre o que foi observado, não só a conclusão: o comportamento definido, a medida usada, o número de oportunidades, o nível de ajuda, o que a criança fez e os sinais de recusa ou desconforto. Conferir o denominador antes de calcular uma porcentagem evita leituras erradas. O guia de coleta de dados mostra isso com um exemplo sintético.
PEI é o mesmo que plano clínico?
Nem sempre. Os nomes variam entre clínicas, escolas e planos de saúde, e a mesma sigla pode designar documentos diferentes. O guia de PEI, PTI e PIC mostra como organizar objetivos, revisão e responsáveis. Confirme com a equipe e com quem vai receber o documento o que ele precisa conter.
O software decide a intervenção?
Não. Um software registra, calcula e mostra dados. A escolha da intervenção, da intensidade e do critério é da supervisão ou da analista responsável pelo caso, com base na avaliação. O guia sobre como escolher software lista o que conferir antes de contratar.
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