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ABA

PEI, PTI e PIC em ABA: diferenças e registro

Entenda PEI, PTI e PIC em ABA, seus usos e limites. Organize objetivos, revisão e responsáveis com estrutura própria e sem copiar instrumentos.

Equipe editorial do Sinthoma

9 min de leitura

Neste artigo

PEI, PTI e PIC são siglas para planos escritos de uma criança, e o que elas significam muda de clínica para clínica e de escola para escola. O nome importa menos do que o conteúdo: um plano documentado diz o que se pretende ensinar, como será medido, de onde se parte, quando será revisado e quem responde por ele.

Este guia é de documentação. Ele não escolhe objetivos, não define carga horária nem diz como ensinar. Isso é da analista ou do analista responsável pelo caso, a partir da avaliação, com a supervisão e com a família. Aqui você encontra a diferença entre plano escolar e plano clínico, os campos de um plano bem registrado e uma estrutura em branco para adaptar. Não há caso real nem exemplo de conteúdo clínico pronto.

Siglas que mudam de clínica para clínica

PEI costuma significar plano educacional individualizado e é a sigla mais ligada à escola. PTI costuma significar plano terapêutico individual. PIC é usada por algumas clínicas para plano de intervenção, e outras usam a mesma sigla para outra coisa. Não há uma tabela oficial única que fixe os três nomes para ABA.

Por isso, o primeiro registro útil é um glossário curto da própria clínica: qual sigla é usada, para qual documento, quem elabora e onde ele fica guardado. Quando um relatório vai para outra instituição, escreva o nome por extenso na primeira vez, e não apenas a sigla. "Plano de intervenção individual da clínica" evita que a escola leia como PEI e a família como "o plano da escola".

Para psicólogas e psicólogos, o plano terapêutico já tem um guia geral neste blog, o de plano terapêutico, que descreve a estrutura em blocos e do lugar do plano no prontuário. O que este texto acrescenta é a camada própria de ABA: medida, linha de base e critério.

Plano escolar e plano clínico

Plano escolar e plano clínico são documentos de instituições diferentes, com finalidades diferentes. O plano escolar organiza o ensino dentro da escola e é elaborado, em regra, pela escola com a família e os profissionais que acompanham a criança. O plano clínico organiza o atendimento e é de responsabilidade da equipe clínica. Um não substitui o outro.

A tabela resume a diferença de função. As regras de elaboração do plano escolar dependem da rede de ensino e da escola, e devem ser conferidas com elas.

Tabela · deslize para ver todas as colunas →
AspectoPlano escolar (PEI)Plano clínico (PTI ou PIC)
Para que serveOrganizar o ensino e o acesso ao currículo na escolaOrganizar o atendimento clínico e os objetivos de ensino na clínica
Quem costuma elaborarEscola, com família e profissionais envolvidosAnalista responsável e supervisão, com a família
Onde fica guardadoNa escola, conforme a política delaNo prontuário e nos registros da clínica
Quem lêProfessoras, coordenação, famíliaEquipe clínica, família, supervisão
O que a clínica pode fazerContribuir com informações, com autorização, sem escrever o plano da escolaElaborar, revisar e assinar

A Lei 12.764/2012 considera a pessoa autista pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, e é a referência geral da área. Ela não define o formato de nenhum dos planos acima. A Nota Técnica CFP 23/2025, sobre o uso de ABA no cuidado a pessoas autistas, vale ser lida na íntegra pela equipe.

O que um plano documentado precisa ter

Um plano documentado tem pelo menos sete elementos: objetivo operacional, medida, linha de base, critério, responsáveis, data de revisão e assinatura de quem responde por ele. Se um deles falta, o plano ainda pode existir, mas deixa de permitir que outra pessoa entenda o que foi decidido e confira se foi cumprido.

Tabela · deslize para ver todas as colunas →
ElementoO que registrarPergunta que ele responde
Objetivo operacionalO comportamento descrito de modo observável, com a condição em que deve ocorrerO que será ensinado, e como alguém reconhece?
MedidaTentativa, frequência, taxa, duração ou outra, e a unidadeO que será contado?
Linha de baseValor, datas, condições e quem coletouDe onde se parte?
CritérioRegra escrita antes da leitura dos dadosQuando se considera o objetivo atingido?
ResponsáveisQuem aplica, quem supervisiona, quem conversa com a famíliaQuem faz e quem responde?
Data de revisãoData prevista e data efetivaQuando o plano será lido de novo?
AssinaturaQuem elaborou, quem aprovou, com data e versãoQuem responde por este texto?

Os elementos de medida, linha de base e critério têm guias próprios. O de coleta de dados explica a medida e o denominador, e o de critério de domínio e linha de base mostra como escrever a regra antes de ler o gráfico.

Objetivo operacional

Um objetivo operacional descreve o que a criança fará de modo que duas pessoas, observando a mesma cena, concordem se ele ocorreu. "Melhorar a comunicação" não é operacional. "Tocar a figura nomeada, entre três figuras, quando a aplicadora diz o nome" é.

Todo objetivo tem uma razão. Escreva por que ele foi escolhido, a partir da avaliação e da conversa com a família, e como se relaciona com a autonomia, o conforto e a qualidade de vida da criança. Metas centradas em fazer a criança parecer igual às outras, ou em suprimir comportamento sem entender sua função, são alvo de crítica de organizações de pessoas autistas, e o registro do porquê ajuda a equipe a conferir se o objetivo é para a criança ou para o ambiente.

A criança também participa, no que for possível. Registre o que se sabe de suas preferências, o que ela sinaliza ao longo do atendimento e as pausas que pediu. O assentimento é parte do plano, e não apenas do dia a dia da sessão.

Estrutura em branco

A estrutura abaixo traz só campos. Não há conteúdo clínico pronto, porque ele depende da avaliação de cada criança. Copie, adapte à realidade da clínica e preencha com o que a avaliação sustenta.

Tabela · deslize para ver todas as colunas →
CampoPreenchimento
Criança (iniciais ou código do caso)
Versão do plano e data
Avaliação de referência (instrumento, data, autor)
Área ou programa
Objetivo operacional
Razão do objetivo (avaliação, família, rotina)
Medida e unidade
Linha de base (valor, datas, condições)
Critério (regra escrita, com data)
Procedimento de ajuda (legenda e versão)
Responsáveis (aplicação, supervisão, contato com a família)
Data de revisão prevista
Registro de revisão (data, o que mudou, motivo)
Assinatura de quem responde pelo plano

A folha de acompanhamento que alimenta esses campos pode ser organizada com a folha de registro. O plano guarda as decisões, e a folha, o que aconteceu a cada sessão.

Avaliação aplicada: referenciar, não copiar

O plano pode referenciar a avaliação aplicada, com o nome do instrumento, a data e quem aplicou. Ele não reproduz itens, pontuações nem a estrutura do instrumento. Instrumentos como o VB-MAPP, o ABLLS-R, o PEAK e o AFLS têm autores e condições próprias de uso e de reprodução, e quem quiser reproduzi-los precisa conferir a licença com quem os publica.

O que entra no plano é a conclusão da analista, em palavras próprias: o que a avaliação apontou como ponto de partida para este objetivo, e em qual data. "Avaliação aplicada em 10/09/2026 por B.C., conclusão de que o alvo é o ponto de partida do programa" é um registro. Uma página com os itens do instrumento transcritos não é.

Um plano não nasce de um modelo em branco. Sem avaliação, os campos podem ser preenchidos, mas as escolhas ficam sem base, e a assinatura passa a responder por algo que ninguém verificou.

Revisão periódica e versão

O plano tem data de revisão prevista e data de revisão efetiva, e a diferença entre as duas é informação. Quem define o intervalo é a supervisão, e ele pode ser menor para um programa e maior para outro. O guia não sugere prazo.

Cada revisão gera uma versão. A versão anterior continua guardada, com data, e a nova diz o que mudou e por quê: objetivo atingido, critério alterado, objetivo suspenso por desconforto da criança, mudança de pessoa responsável. O registro de uma revisão que não muda nada também vale: "revisado em tal data, mantido".

Quando a revisão altera um critério, os dados anteriores continuam lidos pela regra da época. Isso conversa com o histórico de fases descrito no guia sobre critério de domínio. E a legenda de ajuda vale na versão que estava vigente, conforme o guia de hierarquia de dicas.

Comunicação com a escola e com a família

O que vai para a escola ou para a família é o necessário para a finalidade combinada, e não o prontuário nem a folha de coleta. Um plano clínico por inteiro tem informações clínicas que a escola não precisa. A síntese para a escola deve dizer o que ajuda a criança a participar e deixar de fora o que não é da conta da escola.

Antes de compartilhar, responda por escrito: qual é a finalidade, qual parte do plano serve a ela, quem vai receber e com que autorização. A Lei 13.709/2018 (LGPD) classifica dados de saúde como dados pessoais sensíveis (art. 11) e dedica o art. 14 aos dados de crianças e adolescentes, que devem ser tratados em seu melhor interesse. Dúvidas sobre a base de autorização cabem a quem responde pela proteção de dados na clínica.

Para psicólogas e psicólogos, a Resolução CFP 06/2019 orienta a elaboração de documentos escritos, como relatórios, e não substitui a Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010, que é a referência do registro documental. A síntese que sai é um documento próprio, produzido a partir do plano, com a finalidade dita na primeira linha. Outras profissões da equipe seguem as próprias normas.

Com a família, a conversa sobre o plano é anterior à assinatura. Registre a data em que o plano foi apresentado, as dúvidas levantadas e o que mudou depois dessa conversa. Os demais textos da série estão nos guias de ABA.

Sobre a Edição ABA do Sinthoma

A Edição ABA do Sinthoma, para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. O que já existe e o que vem a seguir estão na página da Edição ABA.

Perguntas frequentes

PEI escolar e plano clínico são iguais?

Não. O PEI é o plano da escola, elaborado pela escola com a família e os profissionais envolvidos, e organiza o ensino ali. O plano clínico é da equipe de atendimento e organiza o trabalho na clínica. Podem trocar informações, com autorização e só o necessário, mas cada instituição responde pelo seu documento.

O que significa PIC?

Em algumas clínicas, PIC é plano de intervenção, mas a sigla não é padronizada e outras a usam com sentido diferente. Por isso, escreva o nome por extenso na primeira vez e mantenha um glossário da clínica dizendo qual documento cada sigla designa, quem o elabora e onde ele fica guardado.

Quem define os objetivos?

Quem responde pelo caso, ou seja, a analista ou o analista responsável, a partir da avaliação, com a supervisão e com a participação da família. A criança também participa no que for possível, e seu assentimento e suas preferências entram no registro. Nenhum modelo, planilha ou sistema define objetivos por ninguém.

Posso gerar um plano sem avaliar?

Os campos de um plano podem ser preenchidos sem avaliação, mas o plano não terá base, e a assinatura responderá por escolhas que ninguém verificou. O plano parte da avaliação aplicada, referenciada com instrumento, data e autor. Uma estrutura em branco ajuda a organizar a decisão, sem substituí-la.

Edição ABA do Sinthoma

Para clínicas de ABA com supervisão e equipe de aplicação. A edição está em construção, e a demonstração mostra o que já existe e o que vem a seguir.

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Tags:abapeiptipicplano terapêuticoplano de intervençãoobjetivo operacionaldocumentação clínica

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