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ABA

Domínio e linha de base em ABA: como registrar

Registre linha de base, critério de domínio, manutenção e generalização em ABA. Exemplos documentais com denominadores e limites explícitos.

Equipe editorial do Sinthoma

10 min de leitura

Neste artigo

Critério de domínio é a regra, escrita antes da leitura dos dados, que diz quando a equipe vai considerar um alvo adquirido. Linha de base é o registro de como a criança responde antes de o ensino começar. Os dois precisam estar no papel com data e autoria, porque é a comparação entre eles que dá sentido ao gráfico semanas depois.

Este guia trata de registro. Ele não recomenda percentual, número de sessões, intensidade nem sequência de ensino para ninguém. Quem escolhe o critério de cada programa é a analista ou o analista responsável pelo caso, com a supervisão e a partir da avaliação. Os números abaixo são sintéticos: o programa é fictício, a "criança A." não existe e cada conta pode ser refeita por você.

Linha de base: o que é e por que vem antes

A linha de base é a medida do alvo antes do ensino, feita com o mesmo registro que será usado depois. Sem ela, qualquer número da fase de ensino fica sem ponto de comparação: 60% pode ser muito ou pouco, dependendo de onde a criança estava.

Na prática, a linha de base entra na folha com cinco informações: o alvo, a definição da resposta, a medida usada, as condições da coleta (quem aplicou, com que material, em que ajuda) e as datas. Se a medida ou a definição muda depois, a linha de base antiga deixa de ser comparável e a mudança precisa ser avisada no registro.

Há um cuidado de bem-estar. Medir sem ensinar significa pedir respostas que talvez a criança ainda não tenha. Registre sinais de desconforto, recusa e pedidos de pausa também nessa fase, e comunique à supervisão, que decide como conduzir a coleta. O assentimento da criança faz parte do que se documenta, e não só na fase de ensino.

Para a diferença entre medir por tentativa e por evento, e para a regra de que dado ausente não é zero, o guia de coleta de dados em ABA explica o denominador e a conferência. Aqui ele é tratado como já resolvido.

Quantas sessões e que estabilidade: decisão da supervisão

Não existe número universal de sessões de linha de base. A equipe decide, caso a caso, quantas observações bastam para ter uma referência confiável, e escreve a decisão junto com o motivo. O que se pode padronizar é a pergunta que o registro precisa responder: os valores estão perto uns dos outros, sobem ou descem de forma consistente, ou oscilam muito?

Cooper, Heron e Heward, em Applied Behavior Analysis (3ª ed., 2020), discutem estabilidade e tendência como conceitos gerais de medida. A clínica pode adotar uma regra própria, por exemplo, "mínimo de três sessões e variação dentro de uma faixa que a supervisão definiu". Isso é exemplo de formato. A faixa, o mínimo e a exceção para a criança que se desorganiza com a coleta são da supervisão.

Registre também quando a linha de base foi encurtada ou interrompida e por quê. Uma linha de base de duas sessões porque a criança pediu para parar, ou porque a medida parecia colocá-la em desconforto, é uma informação legítima. O que não se faz é esconder a decisão: ela fica na folha, com data e quem decidiu.

Critério de domínio escrito antes da leitura

O critério de domínio, ou de aquisição, é uma regra com cinco partes: a medida, o limite, quantas sessões seguidas, em que condições de ajuda e com qual denominador mínimo. Escrito antes de ler os dados, ele impede que a decisão de "já dominou" seja tomada olhando o gráfico do dia.

Um exemplo comum no meio, dado aqui só como exemplo, é 80% de respostas independentes em 3 sessões seguidas. Cada parte desse exemplo precisa de definição:

  • Medida: percentual de respostas independentes sobre as tentativas aplicadas.
  • Janela: 3 sessões consecutivas, sem contar as sem coleta (a clínica escreve se elas reiniciam a conta ou se são apenas puladas).
  • Ajuda: só conta como independente a resposta sem ajuda, segundo a legenda vigente. O guia sobre hierarquia e legenda de dicas mostra como essa legenda é versionada.
  • Denominador mínimo: por exemplo, pelo menos 10 tentativas por sessão. Sessão com 3 tentativas, 3 acertos, dá 100% e pouca informação.
  • Condição: mesmo alvo, mesmo material e, quando for o caso, a mesma pessoa aplicando, ou a regra diz se isso não importa.

O critério é da clínica, do programa e da criança. A Nota Técnica CFP 23/2025 e a Nota Técnica ABPMC 01/2025 existem e merecem leitura na íntegra pela equipe, com a supervisão.

Quando o critério muda no meio do caminho, a mudança é registrada com data, valor antigo, valor novo e motivo, e os dados são lidos segundo a regra vigente em cada período. Mudar a regra depois de ver o gráfico, sem anotar, é o jeito mais comum de um registro perder confiança.

Exemplo sintético: conferindo o critério

Programa fictício: a criança A. toca a figura nomeada em um campo de três figuras. O critério do exemplo, escrito antes: 80% de respostas independentes, em 3 sessões consecutivas com coleta, mínimo de 10 tentativas por sessão. Sessão em branco não conta e não reinicia a sequência. Tudo isso é exemplo, e a regra que vale é a da sua clínica.

Tabela · deslize para ver todas as colunas →
SessãoFaseIndependentes / tentativasPercentualAtinge 80%?Sequência atual
LB1linha de base2 / 1020%não0
LB2linha de base1 / 1010%não0
LB3linha de base2 / 1020%não0
S1ensino3 / 1030%não0
S2ensino5 / 1050%não0
S3ensino6 / 1060%não0
S4ensino8 / 1080%sim1
S5ensino7 / 1070%não0
S6ensino8 / 1080%sim1
S7ensino8 / 1080%sim2
S8ensinosem coleta (falta)em branconão conta2
S9ensino9 / 1090%sim3
S10ensino8 / 1080%sim4

A conferência, em ordem:

  1. Linha de base: 2 + 1 + 2 = 5 respostas independentes em 30 tentativas, ou 5 ÷ 30 = 16,7%. Com o mesmo denominador nas três sessões, a média dos percentuais (20, 10 e 20) dá o mesmo número.
  2. S4: 8 ÷ 10 = 80%. Atinge o limite, e a sequência é 1.
  3. S5: 7 ÷ 10 = 70%. Não atinge, e a sequência volta a 0. Ter atingido uma vez não basta.
  4. S6 e S7: 80% e 80%, sequência 2.
  5. S8: sem coleta. Pela regra escrita, fica em branco, não conta como 0% e não reinicia a sequência.
  6. S9: 9 ÷ 10 = 90%, sequência 3. O critério do exemplo foi atingido na S9, com S6, S7 e S9.

Repare no peso da regra escrita antes. Se a clínica tivesse definido que a sessão em branco reinicia a sequência, a contagem recomeçaria na S9 e só fecharia na S11, com mais uma sessão a 80% ou mais. A mesma série, duas decisões, dois momentos de "domínio". Por isso a regra precisa existir antes do gráfico.

Atingir o critério também não encerra o trabalho. Dá à equipe um motivo para revisar o programa, o que cabe à supervisão: manter, mudar o alvo, passar para manutenção e generalização, ou rever a própria regra.

Manutenção e generalização também se registram

Aquisição responde se a resposta apareceu nas condições do ensino. Manutenção pergunta se ela continua aparecendo depois que o ensino do alvo é reduzido ou encerrado. Generalização pergunta se aparece com outras pessoas, outros materiais e em outros lugares. São três perguntas distintas, e um percentual alto na primeira não responde às outras duas.

Cada uma pede um registro próprio. Para a manutenção, anote a data em que o ensino do alvo foi reduzido, o intervalo até a sondagem e o resultado, com a mesma medida e a mesma definição. Para a generalização, registre o que mudou na condição: a pessoa, o material, o ambiente e a ajuda disponível. Uma sondagem em outro ambiente com a mesma aplicadora é uma informação; em outro ambiente com outra pessoa, é outra.

Os intervalos, o número de sondagens e o que fazer com o resultado são decisões clínicas da supervisão. O guia não sugere nenhum. O que cabe ao registro é deixar claro, em cada ponto do gráfico, qual condição ele representa.

Um exemplo de linha na folha: "Sondagem de manutenção, 14 dias após a S10, mesma aplicadora, mesmo material: 7 / 10, 70%." Sem a descrição das condições, o 70% pode ser lido como queda, como estabilidade ou como outra coisa, e ninguém saberá dizer qual.

O que o gráfico mostra e o que não prova

O gráfico mostra o que foi medido, na ordem em que foi medido, em cada fase. Ele não prova, sozinho, que o ensino foi a causa da mudança. Entre a linha de base e a fase de ensino outras coisas também mudam: a pessoa que aplica, o horário, o material, o nível de ajuda, a rotina da criança.

Uma série de duas fases mostra uma associação no tempo. Para sustentar relação entre o procedimento e a mudança, a literatura descreve delineamentos próprios, como os de reversão e de linha de base múltipla, e a escolha deles é da analista, quando e se fizer sentido para o caso. Este texto só pede honestidade na legenda do gráfico: o que ele mostra, o que ele não mostra e o que mudou entre as fases.

Algumas conferências antes de ler a curva: o eixo horizontal usa o mesmo espaço para sessões com coleta e sem coleta? Os pontos em branco foram deixados em branco, e não ligados como zero? Há marca de mudança de fase com data? O denominador de cada ponto é conhecido? Quando o gráfico é gerado, vale conferir esses itens.

Para transformar a série conferida em gráfico, há a ferramenta de gráfico de ABA; a conferência do denominador continua sendo da equipe. Na hora de ler, lembre que a criança aparece no gráfico como um ponto por sessão, mas é uma pessoa com dias melhores e piores. O assentimento, o conforto e a pausa pedida pesam mais do que a sequência de 80%.

Mudança de fase com data e motivo

Toda mudança de fase, de critério, de definição, de ajuda ou de pessoa que aplica entra no registro com data, o que mudou, quem decidiu e o motivo. No gráfico, uma linha vertical rotulada marca o ponto; na folha, a anotação fica ao lado da primeira sessão sob a nova condição.

O histórico precisa preservar o que valia antes. Se o critério passou de 80% em 3 sessões para 90% em 3 sessões, a sessão que bateu 80% na semana anterior foi lida pela regra daquela semana. Reescrever o passado com a regra nova apaga a trajetória que o supervisor precisa ver.

Como o registro de trabalho e o relatório que sai para escola ou convênio são camadas diferentes, é prudente que a folha seja a fonte, e o relatório, uma síntese dela. A Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010, é a referência do registro documental para psicólogas e psicólogos; outras profissões da equipe seguem as próprias normas. A Resolução CFP 06/2019 orienta a elaboração de documentos escritos, como relatórios, e não substitui a anterior. Na folha e no gráfico, a criança aparece por iniciais ou código do caso: o art. 14 da Lei 13.709/2018 (LGPD) pede que dados de crianças e adolescentes sejam tratados em seu melhor interesse.

Para ver onde o critério mora no plano do caso, ao lado do objetivo, da medida e da data de revisão, leia o guia sobre PEI, PTI e PIC em ABA. Os demais textos da série estão nos guias de ABA.

Sobre a Edição ABA do Sinthoma

A Edição ABA do Sinthoma, para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. O que já existe e o que vem a seguir estão na página da Edição ABA.

Perguntas frequentes

80% é um critério universal?

Não. O 80% usado neste guia é só um exemplo de formato. A medida, o limite, o número de sessões, a ajuda aceita e o denominador mínimo são definidos pela clínica para cada programa, com base na avaliação, e ficam escritos antes da leitura dos dados. Nenhuma norma citada aqui fixa um percentual para dar um alvo como adquirido.

Quantas sessões são necessárias?

Não há número universal, nem para a linha de base nem para o critério. A supervisão decide quantas observações dão uma referência confiável e quantas sessões seguidas bastam para o critério, e registra a decisão com data e motivo. Se o número foi reduzido por desconforto da criança, essa razão também entra na folha.

Domínio é igual a generalização?

Não. Domínio indica que o critério foi atingido nas condições do ensino. Generalização pergunta se a resposta aparece com outras pessoas, materiais e lugares, e manutenção pergunta se ela permanece depois. Cada uma exige registro próprio, com a condição descrita. Um percentual alto em sessão não responde às outras duas.

Edição ABA do Sinthoma

Para clínicas de ABA com supervisão e equipe de aplicação. A edição está em construção, e a demonstração mostra o que já existe e o que vem a seguir.

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