Neste artigo
- O que o registro de uma avaliação precisa ter
- O que fica fora do prontuário
- Resumo da avaliação em linguagem do plano
- Reavaliação e comparação
- Quem pode aplicar e interpretar
- Dado de criança no registro
- Sobre a Edição ABA do Sinthoma
- Perguntas frequentes
- Posso copiar os itens do VB-MAPP ou do ABLLS-R para o prontuário?
- O que registrar quando a avaliação é feita em mais de uma sessão?
- Quem decide qual instrumento usar?
Registrar uma avaliação em ABA é anotar que ela foi feita, com qual instrumento e versão, quando, por quem e com que resultado resumido. O protocolo em si, com os itens, a folha de pontuação e as tabelas de cada instrumento, não vai copiado para o prontuário. O prontuário guarda o que a equipe precisa para entender e retomar o caso, e o instrumento continua sendo o documento de quem o publicou.
Este guia trata de registro. Ele não ensina a aplicar nenhum instrumento, não diz qual escolher e não interpreta resultado. A escolha do instrumento, a aplicação e a leitura dos resultados são da analista ou do analista responsável pelo caso, que conhece o instrumento e a criança. Os exemplos são sintéticos: a "criança A." e os dados não existem.
O que o registro de uma avaliação precisa ter
O registro da avaliação tem seis campos: instrumento, versão, data, quem aplicou, de que forma foi aplicado e resultado resumido. Com eles, qualquer pessoa da equipe sabe depois o que foi feito, e a reavaliação pode ser comparada com a anterior sem dúvida sobre o que se mediu.
- Instrumento e versão: o nome como a publicação o chama, com edição ou revisão. "ABLLS-R" e "VB-MAPP" são nomes de instrumentos; versões diferentes do mesmo instrumento não são intercambiáveis.
- Data: do dia da aplicação, ou das datas, se foi feita em mais de uma sessão.
- Quem aplicou: nome e função de quem conduziu e de quem pontuou, se forem pessoas diferentes.
- Forma de aplicação: observação direta, entrevista com a família, informação da escola, ou combinação. Cada fonte vira um campo, porque o peso de cada uma é diferente.
- Condições: local, material usado, se a criança estava bem ou cansada, interrupções e recusas.
- Resultado resumido: o que a analista conclui, em linguagem do plano, sem transcrever o protocolo.
A coluna de condições costuma ser a mais esquecida. Ela é a que explica, meses depois, por que uma reavaliação deu diferente da primeira sem que a criança tenha mudado tanto quanto o número sugere.
O que fica fora do prontuário
Itens, descrições de nível, folhas de pontuação e gabaritos pertencem ao instrumento. Reproduzir isso no prontuário, em gráfico ou em modelo próprio da clínica, pode ferir a licença de uso, que varia de instrumento para instrumento. Quem quer saber o que é permitido consulta o material do próprio instrumento ou a editora e a organização responsáveis por ele.
Na dúvida, o caminho seguro é registrar o resultado com as suas próprias palavras e guardar o protocolo preenchido como documento anexo, nos termos da licença, em vez de reescrevê-lo. Este guia não substitui a leitura da licença de cada instrumento, e a decisão sobre o que a clínica pode fazer com ele é da própria clínica.
Se a equipe cria modelos internos, o modelo cita o instrumento pelo nome e cobre os campos do registro acima. Ele não imita a folha original.
Resumo da avaliação em linguagem do plano
O resumo é o que liga a avaliação ao plano de intervenção. Ele diz, em poucas frases, o que a analista conclui do instrumento para este caso, em termos que o plano usa. O resumo descreve e não rotula: aponta o que a criança faz, o que ainda não faz nas condições avaliadas e o que isso significa para o plano, sem afirmar o que a criança "é".
Um exemplo sintético, para a criança A.:
Instrumento: ABLLS-R (nome e edição conforme a publicação adotada pela clínica). Data: 02/10/2026, em duas sessões. Aplicação: observação direta pela analista responsável e entrevista com a família. Condições: sala de atendimento, material habitual; uma pausa pedida pela criança na segunda sessão, respeitada. Resumo: a analista identificou, nas condições observadas, repertório de pedido com sinal para itens preferidos e pouca resposta a instrução verbal sem apoio. Os dois pontos entram no plano como áreas a acompanhar. Assinatura: analista responsável.
O exemplo não traz pontuação nem item, e ainda assim a equipe consegue retomar o caso e a analista consegue reavaliar na mesma condição.
Reavaliação e comparação
Reavaliar com o mesmo instrumento, na mesma versão e em condições parecidas é o que torna as duas avaliações comparáveis. O registro de cada uma já traz os campos necessários. Se o instrumento ou a versão mudou, a comparação precisa dizer isso, porque o resultado novo não se lê como continuação do anterior.
Também vale registrar o intervalo entre as avaliações e o que aconteceu nele, como mudança de equipe, de rotina ou de programa. A leitura da diferença é da supervisão. O registro só evita que ela se faça sem contexto. O guia de supervisão mostra como a decisão de programa fica escrita, e o de critério de domínio e linha de base trata do vínculo entre a medida inicial e as seguintes.
Quem pode aplicar e interpretar
Cada instrumento tem as suas exigências sobre quem pode aplicá-lo e interpretá-lo, e elas vêm da publicação. O registro deve mostrar quem aplicou e a função dessa pessoa, para que o prontuário seja coerente com o que o instrumento prevê. A clínica confere essas exigências na fonte, com a supervisão, e não deve presumi-las.
Para psicólogas e psicólogos, a Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010, é a referência do registro documental. Quando a avaliação gera um relatório ou um laudo, a Resolução CFP 06/2019 trata da elaboração de documentos escritos; ela não é a norma do prontuário. O guia sobre laudo, parecer e relatório explica a diferença entre esses documentos.
Dado de criança no registro
Dado de saúde é sensível (LGPD, Lei 13.709/2018, art. 11), e o art. 14 pede que o tratamento de dados de crianças atenda ao melhor interesse delas. Na avaliação isso pesa: o registro usa iniciais ou código do caso, guarda só o resumo necessário e deixa o protocolo preenchido num local de acesso restrito. Se parte do resultado vai à escola ou à família, vai o que a finalidade pede e nada mais.
A avaliação também orienta a escolha do que entra no plano de intervenção, e esse plano é o elo entre o instrumento e as folhas de coleta de dados do dia a dia. O hub de guias de ABA reúne o restante da série. A Nota Técnica CFP 23/2025, sobre o uso de ABA no cuidado a pessoas autistas, vale ser lida na íntegra pela supervisão.
Sobre a Edição ABA do Sinthoma
A Edição ABA do Sinthoma, para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. O que já existe e o que vem a seguir estão na página da Edição ABA.
Perguntas frequentes
Posso copiar os itens do VB-MAPP ou do ABLLS-R para o prontuário?
Este guia recomenda não copiar. Itens, folhas de pontuação e gabaritos pertencem ao instrumento, e o uso segue a licença de cada um, que a clínica deve consultar na fonte. O prontuário guarda nome, versão, data, quem aplicou, condições e um resumo do resultado em palavras próprias da analista.
O que registrar quando a avaliação é feita em mais de uma sessão?
Registre as datas de cada sessão, quem aplicou em cada uma, as condições e eventuais interrupções, e junte tudo num único resumo assinado. Isso permite saber depois se uma diferença na reavaliação vem da criança ou do modo como a aplicação aconteceu.
Quem decide qual instrumento usar?
A analista ou o analista responsável pelo caso, com base nos objetivos da avaliação e no que cada instrumento oferece. Este guia não escolhe instrumento. O registro apenas deixa escrito qual foi usado, em qual versão, e por quê, quando a escolha precisa ser justificada.