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DTT em ABA: como registrar tentativas

Saiba como documentar uma tentativa discreta em ABA: oportunidade, resposta, ajuda e resultado. Exemplo sintético e folha própria de registro.

Equipe editorial do Sinthoma

9 min de leitura

Neste artigo

A tentativa discreta, conhecida pela sigla DTT (do inglês discrete trial training), é uma unidade de ensino com começo e fim claros: uma instrução, uma resposta, uma consequência e uma pausa antes da próxima. Para o registro, cada tentativa vira uma linha com o alvo, a resposta, o nível de ajuda e o resultado. É dessas linhas que sai o número que a equipe lê no fim da sessão.

Este guia é sobre documentação. Ele não indica quando usar tentativa discreta, quantas tentativas aplicar, que ajuda oferecer nem que critério adotar para um caso. Essas escolhas são da supervisão e da analista ou do analista responsável, a partir da avaliação da criança. O exemplo é sintético: programa fictício, "criança A." e números inventados para que você possa conferir cada conta.

O que é uma tentativa discreta e onde ela entra no registro

Uma tentativa discreta é uma oportunidade de resposta delimitada. Cooper, Heron e Heward, em Applied Behavior Analysis (3ª ed., 2020), descrevem os conceitos gerais de estímulo antecedente, resposta e consequência que sustentam essa unidade. No registro, ela traz quatro componentes.

  1. Instrução ou estímulo discriminativo: o que foi apresentado, como "toque o gato", com o material à frente da criança.
  2. Resposta: o que a criança fez dentro da janela de tempo definida pela clínica.
  3. Consequência: o que a pessoa que conduz a sessão fez em seguida, conforme o protocolo do programa.
  4. Intervalo entre tentativas: a pausa até a instrução seguinte.

A folha de coleta não precisa gravar os quatro com a mesma minúcia. A instrução e a consequência costumam estar descritas uma vez, no cabeçalho do programa. A linha de cada tentativa guarda o que varia: a resposta e a ajuda. Se a instrução ou a consequência mudar no meio do caminho, a mudança entra no cabeçalho com data, porque altera o que o número significa.

O que se registra em cada tentativa

Cada tentativa precisa de quatro informações: qual alvo estava em ensino, qual foi a resposta, que nível de ajuda foi usado e qual o resultado. Com esses quatro campos, outra pessoa reconstrói a sessão sem ter estado nela.

O alvo identifica o que se ensina, com a mesma redação do programa. A resposta é descrita pelo que se viu: tocou a figura correta, tocou outra figura, não respondeu na janela. O nível de ajuda usa a legenda da clínica, e o guia sobre hierarquia e legenda de dicas mostra como montá-la e versioná-la. O resultado classifica a tentativa: independente, correta com ajuda, erro ou sem resposta.

Anote também o que não é resposta, mas é dado: recusa, afastamento do material, pedido de pausa, sinais de desconforto. Eles não entram no numerador nem no denominador do alvo, mas ficam na folha com o horário. O assentimento da criança é parte do que se registra, e uma sessão que se encurta porque ela pediu para parar deve mostrar isso no papel.

Dica e resposta: o que conta como independente

Só conta como independente a resposta correta dada sem ajuda. Uma resposta correta que veio depois de gesto, dica verbal, modelo ou ajuda física é uma resposta correta com ajuda, e entra em categoria separada. A diferença muda o percentual e, mais tarde, a leitura do gráfico.

Pense em duas sessões com o mesmo número de acertos. Na primeira, a criança A. acerta 8 de 10 sozinha. Na segunda, acerta 8 de 10, mas 5 depois de ajuda gestual. Dizer "80%" nas duas apaga uma diferença que a equipe precisa ver. Separando as colunas, a primeira sessão tem 8 independentes; a segunda, 3 independentes e 5 corretas com ajuda.

A ausência de resposta também é uma categoria. Se a criança não respondeu dentro da janela definida pela clínica, registre "sem resposta", e não "erro". Erro é uma resposta diferente da esperada. Sem resposta é a falta dela, e os dois podem ter explicações distintas para a supervisão investigar.

Contagem e denominador

O denominador é o número de tentativas efetivamente aplicadas no alvo naquela sessão. O numerador é o número de respostas independentes. O percentual de independência é o numerador dividido pelo denominador, multiplicado por 100.

O ponto de atenção é o que entra no denominador. Tentativa planejada e não aplicada fica de fora. Se a folha previa 10 tentativas e a sessão parou na oitava, o denominador é 8. Contar 10 transformaria as duas tentativas que não aconteceram em fracasso. O mesmo vale para a sessão sem nenhuma tentativa: 0 tentativas dão "não calculável", e nunca 0%.

Quando há mais de um alvo, cada alvo tem seu denominador. Somar alvos diferentes numa conta única esconde qual deles avançou e qual não. O guia de coleta de dados explica a diferença entre tentativa e evento e por que dado ausente não é zero.

Exemplo sintético, passo a passo

Programa fictício: a criança A. toca a figura nomeada em um campo de três figuras. O alvo da sessão é "gato". A janela de resposta, definida pela clínica fictícia deste exemplo, é de 5 segundos. A legenda também é de exemplo: AG é ajuda gestual, AV é ajuda verbal, e a legenda da clínica é a que vale.

Tabela · deslize para ver todas as colunas →
TentativaAlvoAjudaRespostaResultado
1gatonenhumatocou a figura corretaindependente
2gatoAGtocou a figura corretacorreta com ajuda
3gatonenhumatocou a figura corretaindependente
4gatonenhumatocou outra figuraerro
5gatonenhumatocou a figura corretaindependente
6gatoAVtocou a figura corretacorreta com ajuda
7gatonenhumatocou a figura corretaindependente
8gatonenhumatocou a figura corretaindependente
9gatonenhumasem resposta na janelasem resposta
10gatonenhumatocou a figura corretaindependente

Para somar no fim da sessão, siga a ordem.

  1. Denominador: 10 tentativas aplicadas.
  2. Independentes: tentativas 1, 3, 5, 7, 8 e 10, ou seja, 6.
  3. Corretas com ajuda: tentativas 2 e 6, ou seja, 2.
  4. Erro e sem resposta: tentativas 4 e 9, uma de cada.
  5. Conferência: 6 + 2 + 1 + 1 = 10. As categorias fecham com o total.
  6. Cálculo: 6 ÷ 10 = 0,60, ou 60% de independência.

Uma segunda sessão, também fictícia, mostra o denominador em ação. A criança A. pediu para parar depois da oitava tentativa, e a equipe encerrou o bloco. Foram 5 independentes em 8 aplicadas: 5 ÷ 8 = 0,625, ou 62,5%. As duas tentativas previstas e não aplicadas ficam anotadas como "não aplicadas, pausa pedida pela criança" e não entram na conta.

Repare que 62,5% ao lado de 60% não permite concluir que algo melhorou, nem que piorou. Isso depende de mais sessões, da linha de base e do critério que a clínica definiu, o que é assunto do guia sobre critério de domínio e linha de base.

DTT e ensino naturalístico: o que muda no registro

No ensino naturalístico (NET, do inglês natural environment teaching), as oportunidades surgem na rotina e no interesse da criança, e não numa sequência montada pela pessoa que conduz. Por isso o registro pode não ter um denominador planejado: a oportunidade é contada quando aparece. Vale então anotar o contexto da oportunidade além do resultado.

O ponto de ligação é o dado ausente e o denominador, discutidos no guia de coleta de dados citado acima. A escolha entre uma forma de ensino e outra, ou a combinação das duas, é decisão da supervisão para cada criança, e esta página não a faz.

Erros comuns de registro

Um erro comum é contar como independente a tentativa que teve ajuda. Ele quase sempre vem de uma folha com uma coluna só, "acertou ou errou". A saída é uma folha com as categorias separadas desde o início.

O segundo é misturar alvos na mesma coluna. Dois alvos com dificuldades diferentes viram um percentual que não descreve nenhum deles. Cada alvo ganha sua linha de resumo.

O terceiro é registrar depois da sessão, de memória. Com o intervalo, a memória tende a suavizar o nível de ajuda que foi usado. Anote durante a sessão ou logo após cada bloco. Se o registro foi feito depois, escreva isso na folha, com o horário.

Há ainda dois erros menores: deixar a janela de resposta sem definição, o que faz cada aplicadora usar um tempo, e esquecer de registrar a recusa, que some da folha e do que a equipe sabe sobre a sessão.

Correção e supervisão

A folha de DTT é conferida pela supervisão em intervalo definido pela clínica, e a correção preserva o valor anterior. Risque o valor antigo sem apagá-lo e escreva o novo com data, iniciais e motivo. Em planilha, acrescente a linha de correção ou use o histórico de versões.

Na conferência, três perguntas bastam para começar. As categorias somam o número de tentativas? O denominador corresponde ao que foi aplicado? A legenda de ajuda usada é a vigente? A decisão sobre o que fazer com o que o dado mostra é da supervisão.

A Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010, é a referência do registro documental para psicólogas e psicólogos; outras profissões da equipe seguem normas próprias. O CFP também publicou a Nota Técnica CFP 23/2025, sobre o uso de ABA no cuidado a pessoas autistas, que convém ler na íntegra com a supervisão. E a Lei 12.764/2012 considera a pessoa com TEA pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.

Na folha, a criança aparece por iniciais ou por código do caso, nunca por nome completo. O art. 14 da Lei 13.709/2018 (LGPD) pede que dados de crianças e adolescentes sejam usados em seu melhor interesse.

Para registrar, há a folha de registro; os demais textos da série estão no hub de guias de ABA. Para o enquadramento do registro no prontuário da área, veja a página sobre prontuário para análise do comportamento.

Sobre a Edição ABA do Sinthoma

A Edição ABA do Sinthoma, para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. O que já existe e o que vem a seguir estão na página da Edição ABA.

Perguntas frequentes

Uma dica conta como acerto independente?

Não. Resposta correta depois de ajuda, seja gesto, dica verbal, modelo ou ajuda física, é registrada como correta com ajuda e fica fora do numerador da independência. A tentativa continua no denominador. Se as duas forem somadas, o percentual aparece maior do que o desempenho sem ajuda, e a equipe perde a informação de que a ajuda ainda está presente.

Como registrar ausência de resposta?

Registre "sem resposta" quando a criança não respondeu dentro da janela definida pela clínica, e não "erro". A tentativa entra no denominador e fora do numerador. Se houve recusa, afastamento do material ou pedido de pausa, anote com o horário. Esses sinais informam a supervisão sobre o conforto da criança durante a sessão.

DTT é toda a ABA?

Não. A tentativa discreta é um formato de ensino e de registro entre vários. A análise do comportamento envolve avaliação, definição de objetivos, outras formas de ensino, como o naturalístico, e a análise dos dados. Qual formato usar e em que medida é decisão da supervisão para cada criança, a partir da avaliação.

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Para clínicas de ABA com supervisão e equipe de aplicação. A edição está em construção, e a demonstração mostra o que já existe e o que vem a seguir.

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