Neste artigo
- Do que a formulação do caso precisa sair para virar plano
- Como escrever metas que dê para observar
- Escala como medida de revisão, e não como diagnóstico
- Como registrar cada revisão do plano
- Perguntas frequentes
- Plano de tratamento e plano terapêutico são a mesma coisa?
- Preciso aplicar escala em todo paciente de TCC?
- De quanto em quanto tempo revisar o plano?
- O paciente pode pedir uma cópia do plano?
O plano terapêutico em TCC nasce da formulação do caso. Cada meta descreve algo que você e o paciente conseguem observar mudando, e cada revisão do plano fica registrada com data, medida usada e decisão tomada. Quem chega ao prontuário vendo só a sessão de hoje precisa enxergar, em dois minutos, para onde o processo caminha.
Este texto trata do registro, não de técnica. A estrutura geral de um plano você encontra em plano terapêutico: como estruturar e registrar objetivos. Aqui o foco é o que muda quando a abordagem é a TCC.
Do que a formulação do caso precisa sair para virar plano
A formulação do caso é o ponto de partida do plano: ela reúne os problemas atuais, os pensamentos, emoções e comportamentos que os mantêm, e os fatores que explicam por que o quadro se instalou. Sem esse mapa escrito no prontuário, as metas ficam soltas e a revisão não tem contra o que comparar.
Na prática, bastam poucas linhas: quais são os dois ou três problemas que o paciente trouxe, em que situações aparecem e o que parece sustentá-los. O restante da anamnese continua onde está. O plano apenas aponta para ela.
A Resolução CFP nº 01/2009 exige que o prontuário registre a evolução do atendimento, e a formulação funciona como a régua dessa evolução. O formato não é imposto pela norma. É decisão sua.
Como escrever metas que dê para observar
Uma meta útil em TCC descreve uma mudança que alguém de fora conseguiria reconhecer. "Reduzir a ansiedade" não serve como registro, porque ninguém sabe dizer quando foi atingida. "Voltar a ir ao mercado sozinho, ao menos duas vezes por semana" serve, porque o paciente sabe se aconteceu.
Boa parte dos terapeutas separa metas em dois horizontes. As de curto prazo cobrem as primeiras semanas e costumam ser comportamentais. As de médio prazo descrevem o que o paciente quer ter de volta quando o tratamento terminar. Use as palavras do paciente sempre que possível, entre aspas, e anote quem concordou com a meta e quando.
Dois cuidados evitam problema depois. Não escreva meta que prometa resultado ("eliminar os ataques de pânico"), porque o prontuário é documento e nenhum atendimento garante resultado. Prometer no papel o que o processo não controla só cria problema na revisão. E não deixe meta sem data de revisão.
Escala como medida de revisão, e não como diagnóstico
Escalas dão ao plano uma medida repetível. O PHQ-9 e o GAD-7, por exemplo, são instrumentos de rastreio e acompanhamento de sintomas depressivos e ansiosos, de uso livre. Você pode aplicar no início, a cada intervalo combinado e na alta, e registrar a pontuação ao lado da data.
O que a pontuação não faz é fechar diagnóstico. Ela é um dado a mais para a conversa de revisão com o paciente. Registre o escore, o instrumento e a versão, e escreva uma linha sobre como você e o paciente leram o resultado. O Sinthoma tem os guias de PHQ-9 e GAD-7, e o texto sobre quando usar cada escala clínica.
Escolha a escala que corresponde ao problema do plano. Aplicar três instrumentos "por garantia" só enche o prontuário de números que ninguém revisa.
Como registrar cada revisão do plano
Uma revisão registrada tem quatro partes: a data, a medida usada, o que mudou em relação às metas e a decisão. A decisão pode ser manter o plano, ajustar uma meta, trocar o foco ou encaminhar para encerramento.
Veja um exemplo curto, escrito como entrada de prontuário: "Revisão do plano, sessão 8. PHQ-9 passou de 14 para 9. Meta 1 (sair de casa três vezes por semana): cumprida em duas das últimas quatro semanas. Paciente relata que o obstáculo foi o fim de semana de chuva. Mantida a meta, acrescentada a de planejar a saída na véspera. Próxima revisão na sessão 12."
O intervalo é seu. O que importa é que ele esteja escrito, e que o paciente saiba dele. Plano que ninguém revisa deixa de ser plano e vira lembrança de primeira sessão.
Quem guarda isso em papel tende a perder o fio entre as revisões. Num prontuário digital com campo próprio para o plano, a linha do tempo fica à mão. Os planos do Sinthoma mostram o que cada um inclui.
Perguntas frequentes
Plano de tratamento e plano terapêutico são a mesma coisa?
Na rotina do consultório, sim. Os dois nomes descrevem o documento que liga a formulação do caso às metas e às revisões. A Resolução CFP nº 01/2009 não fixa um nome nem um formato, então use o termo que combina com o seu serviço e mantenha o mesmo em todos os prontuários.
Preciso aplicar escala em todo paciente de TCC?
Não. Nenhuma norma do CFP obriga o uso de escala no atendimento clínico. Ela entra quando ajuda a acompanhar o problema combinado no plano. Se você aplica, registre instrumento, data e pontuação, e comente o resultado com o paciente.
De quanto em quanto tempo revisar o plano?
A norma não define intervalo. Há quem revise a cada oito ou dez sessões, e quem prefira uma vez por mês, ou antes, se algo muda no caso. O que vale é combinar o intervalo com o paciente e registrá-lo no próprio plano.
O paciente pode pedir uma cópia do plano?
Pode. A LGPD (Lei nº 13.709/2018), art. 18, garante ao titular o acesso aos seus dados. O plano faz parte do prontuário, então o pedido segue o mesmo caminho de qualquer outro acesso ao registro.
