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HPMA na anamnese psicológica: o que é e como registrar

HPMA (história do padecimento atual) é o bloco da anamnese que dá linha do tempo à queixa. Veja o que incluir, exemplo de registro e erros comuns.

Equipe editorial do Sinthoma

6 min de leitura

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sinthoma.com.br
Neste artigo

HPMA é a sigla de história do padecimento atual (também escrita como história da moléstia atual, ou HDA), o bloco da anamnese que reconstrói a queixa em linha do tempo: quando começou, como evoluiu, o que já foi tentado e o que piora ou alivia. É a diferença entre registrar "paciente relata ansiedade" e registrar algo que se pode acompanhar sessão após sessão.

O termo vem da semiologia médica e chegou à psicologia clínica pelo mesmo caminho que outras siglas de prontuário, como SOAP e DAP. A Resolução CFP nº 01/2009 não usa a sigla HPMA, mas exige que o registro documental do psicólogo esteja organizado e reflita a evolução do caso, e é exatamente essa função que a HPMA cumpre dentro da anamnese.

O que muda entre queixa principal e HPMA

A queixa principal é o motivo declarado, geralmente numa frase, de preferência nas palavras da própria pessoa: "estou muito ansiosa no trabalho". A HPMA pega essa frase e a transforma em história: desde quando, o que mudou nesse intervalo, o que já foi tentado para lidar com isso, o que piora e o que alivia. Uma sem a outra deixa buraco no registro: só queixa, sem história, vira frase solta sem contexto temporal. Só história, sem a queixa nas palavras da pessoa, perde o dado subjetivo de como ela mesma nomeia o que sente.

Os cinco elementos que uma boa HPMA cobre na prática

Não existe campo fechado, mas cinco perguntas cobrem a maior parte do que um bom registro de HPMA precisa responder.

Início. Quando o sintoma ou a dificuldade começou, mesmo que de forma aproximada ("há uns três meses", "desde que mudou de emprego em fevereiro"). Data exata raramente existe, e não é isso que se busca. O que importa é ter um marco temporal.

Evolução. Se piorou, melhorou, ficou estável, ou variou em episódios desde o início. Um quadro que piora de forma constante conta uma história diferente de um que oscila.

Fatores desencadeantes ou agravantes. O que parece disparar ou intensificar o sintoma: uma situação específica, um horário do dia, a presença de determinada pessoa.

Tentativas de manejo já feitas. O que a pessoa já tentou, sozinha ou com ajuda: outro profissional, medicação, mudança de rotina, técnica de respiração encontrada na internet. Isso evita repetir uma abordagem que já não funcionou e dá pistas sobre o que a pessoa já reconhece como problema.

Impacto funcional atual. Como isso afeta o dia a dia agora: sono, trabalho, relacionamentos, rotina. É o que diferencia um desconforto pontual de algo que já reorganizou a vida da pessoa em torno dele.

Exemplo de registro

Frase de queixa: "Estou muito ansiosa no trabalho."

HPMA correspondente: "Relata sintomas de ansiedade há aproximadamente três meses, com início após mudança de cargo na empresa. Descreve piora progressiva, com episódios de taquicardia em reuniões nas últimas duas semanas. Refere dificuldade de concentração e insônia inicial há cerca de um mês. Já tentou reduzir cafeína e usar aplicativo de meditação, sem melhora relatada. Nunca fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico anterior. Impacto: queda no rendimento percebido pela própria paciente, evitação de reuniões quando possível."

Note que nenhuma frase aqui interpreta a causa da ansiedade. É descrição organizada do que a pessoa relatou, sem hipótese clínica misturada no meio. A hipótese entra depois, na síntese da anamnese, não na HPMA.

HPMA muda conforme a abordagem teórica?

O conteúdo factual (início, evolução, tentativas de manejo) tende a se manter parecido entre abordagens. O que muda é o quanto se aprofunda em cada elemento. Uma leitura comportamental costuma expandir bastante os fatores desencadeantes, chegando perto de uma análise funcional detalhada de antecedentes e consequências. Uma leitura psicodinâmica tende a já puxar, ainda na HPMA, associações com a história de vida que serão aprofundadas no bloco biográfico da anamnese.

Isso não torna a HPMA opcional em nenhuma linha de trabalho. Mesmo abordagens que não usam o termo têm, na prática, um equivalente: o momento da anamnese em que a queixa ganha linha do tempo.

HPMA é o mesmo que o "histórico da queixa atual" da anamnese

Sim, na maioria dos modelos de anamnese usados em psicologia, o bloco chamado "histórico da queixa atual" cumpre exatamente a função da HPMA descrita aqui, só com nome diferente. Alguns profissionais usam a sigla médica por familiaridade com a nomenclatura clínica, outros preferem o nome em português por extenso. O conteúdo é o mesmo. O restante da estrutura da anamnese, com os outros seis blocos que cercam esse (identificação, histórico de vida, histórico familiar, exame do estado mental), está detalhada em modelo de anamnese psicológica: o que incluir.

Erros comuns ao registrar a HPMA

  • Misturar fato com interpretação. "Paciente relata insônia há um mês" é fato. "Paciente está reprimindo ansiedade relacionada ao trabalho" é leitura clínica, e pertence à síntese, não à HPMA.
  • Registrar só o início, sem a evolução. Um sintoma que começou há seis meses e está exatamente igual hoje conta uma história diferente de um que piorou nas últimas semanas. A evolução é o que dá relevância clínica à linha do tempo.
  • Ignorar tentativas de manejo anteriores. Sem esse dado, é comum sugerir mais tarde uma estratégia que a pessoa já tentou e descartou, o que custa tempo de sessão e credibilidade.
  • Copiar a mesma estrutura genérica para toda queixa. Ansiedade, luto e conflito conjugal pedem ênfases diferentes dentro dos cinco elementos. Ajustar o peso de cada um à queixa específica é o que separa um registro útil de um formulário preenchido por obrigação.

Onde registrar isso sem duplicar campo

Em papel ou editor de texto, a HPMA costuma virar um parágrafo solto dentro da anamnese. No Sinthoma, ela já é um campo próprio dentro da anamnese estruturada do paciente, separado da queixa principal e do histórico de vida, o que evita que os três se misturem num único bloco de texto conforme o caso vai ficando mais complexo nas sessões seguintes.

Perguntas frequentes

HPMA é sigla usada só em psiquiatria?

A sigla nasceu na semiologia médica em geral e é usada em várias especialidades, psiquiatria incluída. Na psicologia, alguns profissionais adotam o mesmo termo por familiaridade com a linguagem clínica, outros preferem falar em "histórico da queixa atual". As duas nomenclaturas descrevem o mesmo conteúdo.

A HPMA precisa ser preenchida na primeira sessão?

Geralmente sim, ao menos em versão inicial, porque é nesse momento que a queixa costuma vir mais fresca e detalhada. Mas revisar e completar a HPMA nas sessões seguintes, conforme surgem detalhes que a pessoa não trouxe de início, é prática normal e recomendada.

Preciso perguntar diretamente os cinco elementos ao paciente?

Não como questionário formal. A maioria desses elementos aparece naturalmente na conversa da primeira sessão. O papel do profissional é notar o que falta e, se necessário, perguntar de forma pontual, sem transformar o acolhimento inicial num interrogatório estruturado.

O que fazer quando o paciente não sabe precisar quando o sintoma começou?

Registre a aproximação que a pessoa consegue dar, mesmo vaga ("há uns meses", "desde o ano passado"), e complemente com marcos que ajudem a situar no tempo, como um evento de vida próximo (mudança, perda, início de um trabalho). Precisão exata não é o objetivo; ter um ponto de referência temporal é.

Continue lendo: modelo de anamnese psicológica: o que incluir e DAP, SOAP e BIRP: o que são e como usar.

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Tags:HPMAanamnesehistória da queixa atualprontuárioprimeira sessão

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