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Terapia Sistêmica

Genograma: como montar e registrar na terapia sistêmica

Genograma é o mapa familiar da terapia sistêmica. Veja como montar, quais símbolos usar e como registrar corretamente no prontuário.

Equipe editorial do Sinthoma

5 min de leitura

Terapia Sistêmica
sinthoma.com.br
Neste artigo

O genograma é o instrumento de mapeamento familiar mais usado na terapia sistêmica. Ele organiza em diagrama ao menos três gerações de uma família, mostrando não só quem são os membros, mas como as relações entre eles se estruturam. No prontuário, funciona como documento de avaliação: permite que você e o paciente visualizem padrões relacionais que o relato verbal muitas vezes não revela com clareza.

A técnica foi sistematizada por Monica McGoldrick e Randy Gerson em "Genograms: Assessment and Intervention" (1985, com revisões posteriores) e tornou-se referência padrão na prática de terapia familiar no Brasil e no mundo.

O que um genograma registra

O genograma vai além da árvore genealógica. Ele mapeia composição familiar (quem são os membros e como se relacionam biologicamente ou por adoção), padrões relacionais (proximidade, conflito, rompimento, fusão) e informações clinicamente relevantes que se repetem entre gerações, como perdas significativas, padrões de adoecimento e migrações.

O que o torna útil no prontuário é justamente esse nível de organização: em uma única imagem, você consegue ver o que levaria várias sessões de perguntas para ser narrado linearmente.

Os símbolos básicos

A convenção internacional, adotada também no Brasil, usa:

SímboloSignificado
QuadradoHomem
CírculoMulher
TriânguloPessoa trans ou gênero não-binário (em algumas convenções contemporâneas)
X dentro do símboloPessoa falecida
Linha horizontal entre dois símbolosRelação conjugal ou parceria
Dois traços na linhaCasamento formal
Linha pontilhadaUnião informal ou relação de fato
Linha cortada (barra simples)Separação
Linha cortada (duas barras)Divórcio
Linha vertical descendoFilhos (ligados à linha dos pais)
Quadrado ou círculo com tracejadoGestação, aborto espontâneo ou induzido (depende do contexto)

Relações também podem ser qualificadas com linhas paralelas adicionais para indicar proximidade intensa, linhas em zigue-zague para conflito e linhas duplas com ruptura para distanciamento. O importante é usar a legenda no próprio documento: o que não está explicado não serve como registro clínico.

Como montar

Comece pela geração do meio: o paciente (ou o casal, se for terapia familiar) fica na linha central. Pais e tios ficam na linha acima, avós acima desses. Filhos e sobrinhos ficam abaixo. A geração mais recente fica na linha mais baixa do diagrama.

Para cada pessoa, anote ao lado do símbolo: nome (ou iniciais, conforme o nível de sigilo que você quer manter no documento), idade ou ano de nascimento, e profissão quando relevante para a dinâmica clínica.

Informações clínicas relevantes, como diagnósticos médicos recorrentes, histórico de dependência química ou períodos de crise significativa, ficam em nota vinculada ao símbolo, não escrita sobre o diagrama, para manter a leitura limpa.

Genograma no prontuário: como registrar

A Resolução CFP nº 01/2009 exige que o prontuário contenha registro sistemático dos instrumentos de avaliação utilizados e das informações obtidas com eles. O genograma, como instrumento de avaliação familiar, precisa aparecer no prontuário com:

  • O diagrama em si (arquivo de imagem, PDF ou anexo escaneado se feito à mão)
  • A data de elaboração e a sessão em que foi construído com o paciente
  • Uma nota clínica de interpretação: o que o diagrama revelou que será trabalhado no processo

Sem a nota interpretativa, o genograma é só uma árvore genealógica. Com ela, ele documenta o raciocínio clínico.

Quando atualizar o genograma

O genograma não é feito uma vez e esquecido. Nascimentos, mortes, separações e novas uniões que surgem ao longo do tratamento devem ser incorporados. Uma forma prática: data cada versão separadamente no prontuário. Assim você preserva o retrato do início do tratamento e consegue comparar com a configuração atual.

Em processos longos, a comparação entre genogramas de momentos diferentes pode ser clinicamente informativa por si só.

Sigilo e privacidade no genograma

O genograma contém informações de terceiros que nunca foram ao consultório e não deram consentimento para ter seus dados registrados. A LGPD, art. 11, permite o tratamento de dados sensíveis de saúde quando necessário para a execução de contrato de prestação de serviços de saúde, o que abrange o processo terapêutico.

Mesmo assim, algumas precauções são recomendadas: usar iniciais em vez de nomes completos para membros da família que não são pacientes, não incluir dados desnecessários para a avaliação clínica e manter o prontuário com o mesmo nível de proteção exigido para qualquer dado sensível.

Prontuário digital e o genograma

Sistemas de prontuário digital permitem criar e salvar genogramas diretamente na ficha do paciente. Isso resolve um problema comum: o genograma feito em papel some, fica ilegível ou não é digitalizado. Com o documento vinculado ao prontuário eletrônico, ele aparece na ficha junto com as evoluções, sem precisar de busca em pasta física.

Veja também: prontuário online para psicólogo: o que o CFP exige e prontuário com IA: segurança e LGPD. Para conhecer os recursos de documentação disponíveis no Sinthoma: /precos.

Perguntas frequentes

O genograma é obrigatório na terapia sistêmica?

Não há obrigatoriedade normativa do CFP para o uso de qualquer instrumento específico. A Resolução CFP nº 01/2009 exige registro sistemático das avaliações e intervenções, mas não determina quais instrumentos usar. O genograma é amplamente adotado na prática sistêmica por sua utilidade clínica, não por imposição regulatória.

Quantas gerações o genograma precisa ter?

A convenção padrão de McGoldrick e Gerson prevê ao menos três gerações para que os padrões transgeracionais fiquem visíveis. Na prática clínica, duas gerações já oferecem informação útil quando o paciente tem pouco acesso à história familiar. O que importa é registrar o que foi possível mapear e o motivo da limitação.

Posso fazer o genograma junto com o paciente na sessão?

Sim, e essa é a forma mais comum. O processo de construção em sessão tem valor terapêutico próprio: o paciente narra enquanto você organiza, o que frequentemente provoca reflexões que o relato linear não provocaria. O documento final fica no prontuário; uma cópia pode ser fornecida ao paciente se ele solicitar.

Como lidar com informações que o paciente não quer que fiquem no genograma?

Se o paciente pede que determinada informação não seja registrada, respeite. Você pode anotar na evolução que "foram discutidos aspectos da história familiar não detalhados no genograma a pedido do paciente", sem especificar o conteúdo. O prontuário é do paciente, e o sigilo se estende ao que ele não quer que seja documentado.

Existe software específico para criar genogramas?

Existem ferramentas dedicadas (GenoPro é uma das mais conhecidas), mas qualquer editor de imagem ou diagrama serve. O que importa para o prontuário é que o arquivo final seja legível, datado e vinculado à ficha do paciente, não a ferramenta usada para criá-lo.

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