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title: "O que o psicólogo pode postar nas redes: guia do marketing ético (Código de Ética)"
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published: 2026-07-14
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# O que o psicólogo pode postar nas redes: guia do marketing ético (Código de Ética)

> O que o psicólogo pode e não pode postar nas redes: o que o Código de Ética do CFP diz sobre publicidade, depoimentos e promessas de resultado.

2026-07-14 · Equipe Sinthoma

A pergunta prática é essa: o que você pode postar no Instagram sem arriscar uma notificação do CRP?

Não é uma pergunta de nicho. A maioria dos psicólogos que abre um consultório hoje cria um perfil profissional em alguma rede social. E a maioria não leu o Código de Ética com atenção suficiente para saber o que pode e o que não pode.

## O que o Código de Ética permite

O **Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005)** não proíbe que psicólogos divulguem seus serviços. Proíbe maneiras específicas de fazer isso.

Você pode divulgar que é psicólogo, que atende adultos, que trabalha com ansiedade e relacionamentos, que tem formação em terapia cognitivo-comportamental, que recebe presencialmente e online. Pode criar um site profissional, um perfil no Instagram, uma página no Google Meu Negócio. Pode postar sobre como funciona a terapia, o que esperar de uma primeira consulta, como funciona o processo terapêutico. Pode publicar artigos, gravar vídeos com informação sobre saúde mental, responder perguntas frequentes.

Tudo isso é divulgação legítima de serviços profissionais.

## O que é proibido sem exceção

O **art. 9º do Código de Ética (Resolução CFP nº 010/2005)** estabelece o dever de sigilo sobre informações recebidas no exercício profissional. Isso tem uma consequência direta para marketing: você não pode usar informação do consultório para construir presença nas redes.

**Depoimento de paciente.** Proibido, mesmo que o paciente autorize. A autorização do paciente não suprime o dever de sigilo profissional do psicólogo. O paciente em processo terapêutico pode estar em situação de vulnerabilidade e a "autorização" pode não ser livre de verdade. Plataformas como Google Meu Negócio ou Doctoralia permitem que pacientes deixem avaliações por iniciativa própria, e isso está fora do controle do psicólogo. Mas pedir ou incentivar a avaliação já é problemático.

**Promessa de resultado.** O **art. 2º do Código de Ética (Resolução CFP nº 010/2005)** veda ao psicólogo induzir a clientela a falsas expectativas. "Em 12 sessões você vai superar sua ansiedade" é promessa proibida. "A terapia pode ajudar a desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade" é declaração verdadeira.

**Exposição de caso clínico.** Nenhum caso clínico vai para as redes, mesmo sem nome, mesmo alterando os dados. A psicologia trabalha com histórias únicas o suficiente para que a alteração dos dados superficiais não proteja adequadamente a identidade. A regra não é "com cuidado é possível". A regra é: não.

**Sensacionalismo.** Conteúdo que explora sofrimento de terceiros para gerar engajamento, que usa linguagem alarmista sobre saúde mental, que apresenta a terapia como solução para qualquer problema de vida contradiz os deveres do art. 2º do Código de Ética.

## Psicoeducação: o que é informação e o que já é conselho clínico

O conteúdo de psicoeducação tem um limite que precisa ser respeitado.

Um post explicando o que é ansiedade, como ela se manifesta no corpo, quais técnicas de regulação emocional existem, o que a terapia pode oferecer: isso é psicoeducação legítima. Ajuda o público a entender a área, posiciona você como profissional competente, não viola o Código de Ética.

"Respondi uma pergunta no direct sobre os medicamentos que você estava tomando": isso já é atendimento individual não autorizado pela **Resolução CFP nº 09/2024**. A linha é: conteúdo para todos é psicoeducação; resposta individualizada sobre sintoma específico de uma pessoa identificada já é outra coisa.

A ambiguidade aparece no meio do caminho: o post que parece geral mas que você sabe que está mirando exatamente na história de um paciente. O teste prático: se alguém que frequenta o seu consultório pode se reconhecer no conteúdo, não publica.

## Títulos e especialidades nas redes

Você pode mencionar sua formação: graduação, especialização, título de mestre ou doutor reconhecido pela CAPES. Pode mencionar que tem formação em abordagem específica.

Não pode usar o título de "especialista" em área que não seja reconhecida pelo CFP como especialidade. O CFP mantém lista de especialidades reconhecidas em cfp.org.br. Usar o título "especialista em trauma" sem que o CFP reconheça essa especialidade pode ser questionado.

Não pode usar o termo "terapeuta" para substituir "psicólogo" quando a função exige o registro no CRP e você quer manter o vínculo com a profissão regulamentada.

## Quando um paciente posta sobre você

Paciente que posta uma avaliação positiva no Google, ou que menciona o seu trabalho no Instagram, ou que diz que a terapia com você mudou a vida dele: você não tem controle sobre isso. Ele pode. O sigilo é obrigação do psicólogo, não uma restrição ao paciente.

O que você não pode fazer: repostar, agradecer publicamente de forma que confirma a relação terapêutica, ou usar o conteúdo do paciente como material de marketing de qualquer maneira. O sigilo protege a identidade e as informações do paciente, não só os dados clínicos que você gera.

Para entender o que o CFP exige em documentação e sigilo: [sigilo no prontuário psicológico: o que a LGPD e o CFP exigem](/blog/sigilo-prontuario-psicologico-lgpd). Para conhecer o que o Sinthoma oferece em gestão do consultório: [/precos](/precos).

## Perguntas frequentes

### Posso aparecer em vídeo falando sobre diagnósticos como depressão ou TDAH?

Pode falar sobre o que são esses quadros, como se manifestam, o que a psicologia oferece. Não pode insinuar que o espectador provavelmente tem algum deles, sugerir diagnóstico com base no que alguém descreveu nos comentários, ou criar alarme desnecessário. A psicoeducação descreve; o conselho individualizado diagnostica.

### Usar os próprios casos como exemplo em posts, alterando os dados, é permitido?

Não. O Código de Ética não permite exposição de caso clínico para fins de publicidade, mesmo com alteração de dados. A proteção não é só sobre o nome, é sobre a história. O teste: a pessoa se reconheceria? Se a resposta for "talvez", não publica.

### O que acontece se eu receber uma denúncia ao CRP por causa de um post?

O CRP analisa a denúncia. Se confirmar infração ao Código de Ética, as penalidades vão de advertência a suspensão do exercício profissional, conforme a gravidade. Processos éticos são formais e têm efeito real. A maioria dos casos que chegam ao CRP por causa de marketing envolvem depoimentos de pacientes e promessas de resultado.

### Posso ter um blog no site do consultório?

Pode, e é uma das formas mais seguras de marketing ético. Conteúdo escrito, de caráter informativo e psicoeducativo, assinado pelo profissional, sem casos clínicos e sem promessas de resultado, é compatível com o Código de Ética e constrói autoridade de forma sustentável.

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