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title: "PHQ-9, GAD-7 e DASS-21: o que são e como acompanhar no prontuário"
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published: 2026-07-07
updated: 2026-09-29
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# PHQ-9, GAD-7 e DASS-21: o que são e como acompanhar no prontuário

> PHQ-9, GAD-7 e DASS-21 são escalas validadas para rastrear depressão, ansiedade e estresse. Saiba como aplicar, pontuar e documentar corretamente no prontuário.

2026-07-07 · Equipe Sinthoma

PHQ-9, GAD-7 e DASS-21 são instrumentos de rastreamento validados para depressão, ansiedade e estresse. No prontuário, funcionam de duas formas ao mesmo tempo: documentam o estado inicial do paciente e permitem acompanhar a evolução ao longo do tratamento com dados objetivos que sustentam qualquer decisão clínica.

Usar escalas sem registrá-las adequadamente cria um problema prático: seis meses depois, você não consegue reconstituir se aquela pontuação era do começo, do meio ou de uma fase de crise. O histórico some.

## PHQ-9: o que mede e como usar no prontuário

O PHQ-9 rastreia sintomas depressivos com 9 itens, cada um pontuado de 0 a 3, totalizando de 0 a 27 pontos. Foi desenvolvido por Kroenke, Spitzer e Williams (2001, *Journal of General Internal Medicine*, 16:606-613) como parte do estudo PRIME-MD. Cada item corresponde a um critério diagnóstico do DSM para depressão maior, e cada um se refere às últimas duas semanas.

A pontuação orienta a conduta: de 1 a 4 são sintomas mínimos, de 5 a 9 são leves, de 10 a 14 moderados, de 15 a 19 moderadamente graves e de 20 a 27 graves. O ponto de corte de 10 tem sensibilidade próxima de 88% para depressão maior nos estudos originais.

No prontuário, registre a data de aplicação, o escore total e os itens com maior pontuação. Uma anotação do tipo "PHQ-9 em 07/07/2026: escore 14 (moderado); destaque para itens 4 (fadiga, 3 pontos) e 9 (pensamentos de morte, 1 ponto)" é mais útil clinicamente do que apenas "paciente com sintomas depressivos moderados". O item 9, em particular, nunca deve ficar sem nota na evolução da sessão.

## GAD-7: triagem de ansiedade generalizada

O GAD-7 usa 7 itens com a mesma escala de 0 a 3, somando até 21 pontos. Desenvolvido por Spitzer, Kroenke, Williams e Löwe (2006, *Archives of Internal Medicine*, 166:1092-1097), o instrumento rastreia sintomas de transtorno de ansiedade generalizada nas últimas duas semanas. Escores de 5 a 9 indicam ansiedade leve, de 10 a 14 moderada e de 15 a 21 grave.

Como o intervalo de referência é sempre as últimas duas semanas, aplicações repetidas ao longo do tratamento são comparáveis entre si. Se você aplicar com intervalos irregulares, anote isso na evolução: "GAD-7 reaplicado após 6 semanas por piora relatada na sessão" diz mais do que a pontuação sozinha.

## DASS-21: três dimensões numa escala

O DASS-21 tem 21 itens divididos em três subescalas de 7 itens cada: Depressão, Ansiedade e Estresse. A escala original de 42 itens foi desenvolvida por Lovibond e Lovibond (1995, *Behaviour Research and Therapy*, 33:335-343); a versão curta mantém a mesma estrutura fatorial em metade dos itens.

A diferença prática em relação às duas anteriores: o DASS-21 separa estresse de ansiedade. A subescala de estresse capta tensão crônica, irritabilidade e dificuldade de relaxar, sintomas que o GAD-7 não distingue da preocupação cognitiva. Para pacientes com quadro misto ou com queixa principal de "estresse", essa distinção tem valor clínico.

Atenção ao calcular os escores: a pontuação bruta de cada subescala do DASS-21 precisa ser multiplicada por 2 antes de comparar com as tabelas de classificação, que foram normatizadas para a versão de 42 itens. Não anotar esse detalhe no prontuário gera confusão em interconsultas.

## Como documentar escalas no prontuário

A **Resolução CFP nº 01/2009** exige registro sistemático das sessões, das intervenções realizadas e dos instrumentos de avaliação utilizados. Para escalas de rastreamento, o registro mínimo que cumpre essa exigência é o nome da escala, a data de aplicação, o escore obtido e o que esse escore indica segundo os critérios do instrumento.

Um formato prático para manter o histórico organizado:

| Data | Escala | Escore | Nível | Observação |
|---|---|---|---|---|
| 07/07/2026 | PHQ-9 | 14 | Moderado | Item 9: 1 ponto, discutido na sessão |
| 07/07/2026 | GAD-7 | 11 | Moderado | |
| 04/08/2026 | PHQ-9 | 9 | Leve | Queda após 4 semanas |
| 04/08/2026 | GAD-7 | 7 | Leve | |

Esse registro permite que qualquer profissional leia o histórico sem precisar que você explique oralmente a trajetória do paciente.

## Rastrear é diferente de diagnosticar

PHQ-9, GAD-7 e DASS-21 são instrumentos de rastreamento. O diagnóstico psicológico exige avaliação clínica completa, com entrevista, observação e integração de múltiplas fontes de informação.

Registrar "diagnóstico: depressão moderada (PHQ-9 = 14)" é tecnicamente impreciso: o PHQ-9 aponta um escore compatível com depressão moderada, mas o diagnóstico resulta da avaliação global. A distinção não é apenas técnica. Em uma eventual demanda ética, a diferença entre "instrumento indicou" e "clínico avaliou e concluiu" importa.

Para quem usa IA para apoiar a documentação clínica: um sistema bem configurado consegue sugerir a aplicação periódica das escalas e consolidar o histórico de pontuações sem substituir o julgamento sobre o que os números significam para aquele paciente específico. Veja como o Sinthoma integra isso ao prontuário: [/precos](/precos).

Para entender como esses resultados se integram ao formato de evolução da sessão: [DAP, SOAP e BIRP: o que são e como usar](/blog/dap-soap-birp-com-exemplo).

## Perguntas frequentes

### Preciso aplicar o PHQ-9 toda sessão?

Não. Escalas de rastreamento são úteis como linha de base e para monitoramento periódico, não como rotina semanal. Um intervalo de 4 a 8 semanas é comum na prática clínica de TCC. O que vai ao prontuário toda sessão é a evolução narrativa; as escalas entram quando você as aplica, e a data sempre deve constar.

### O DASS-21 precisa de formação específica para ser usado?

O CFP regula o uso de testes psicológicos por meio do SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos). Consulte o SATEPSI para verificar o status atualizado de cada instrumento antes de usá-lo, já que a lista é revista periodicamente. PHQ-9 e GAD-7 têm uso mais amplo na literatura de saúde geral, mas a interpretação clínica dos resultados segue sendo responsabilidade do psicólogo habilitado.

### Como registrar quando o escore piora entre sessões?

Registre o dado e o contexto clínico. Uma piora no PHQ-9 de 9 para 14 entre duas aplicações não é apenas um número diferente. Exige nota na evolução explicando o que você observou, o que o paciente relatou e como isso muda a conduta. Atualizar só a tabela de escores sem nota clínica é insuficiente como registro do processo.

### O paciente pode recusar preencher escalas?

Pode. A aplicação de qualquer instrumento depende do consentimento do paciente. Se houver recusa, registre no prontuário e documente como você coleta informações sobre sintomas sem o instrumento formal. Idealmente, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) já menciona o uso de escalas no protocolo.

### Posso usar PHQ-9 e GAD-7 ao mesmo tempo?

Sim, e é frequente na TCC. Depressão e ansiedade têm alta comorbidade, e as duas escalas juntas oferecem uma imagem mais completa do quadro sem se sobrepor. Registre os resultados separadamente no prontuário para que a evolução de cada dimensão seja rastreável de forma independente.

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