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title: "Como escolher software ABA para sua clínica"
description: "Compare coleta, gráficos, supervisão, exportação e TISS antes de contratar um software ABA. Checklist com evidências e limites de cada critério."
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language: pt-BR
published: 2026-10-21
updated: 2026-10-21
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# Como escolher software ABA para sua clínica

> Compare coleta, gráficos, supervisão, exportação e TISS antes de contratar um software ABA. Checklist com evidências e limites de cada critério.

2026-10-21 · Equipe Sinthoma

Escolher software para uma clínica ABA é comparar o que cada sistema consegue provar, e não o que ele promete na página de vendas. Para cada critério, existe uma pergunta que se faz na demonstração e uma prova que se pede: uma sessão registrada em modo avião, um arquivo de exportação, um relatório gerado com dados de teste. O que o fornecedor não consegue mostrar, a clínica deve tratar como não existente até que mostre.

Este guia é de compra por critério. Não cita fornecedor, não faz ranking e não traz preço de ninguém, porque as ofertas mudam e uma comparação nominal só vale com verificação pública datada. Nada aqui diz como conduzir um caso: a decisão clínica continua com a analista ou o analista responsável e com a supervisão. O software registra, organiza e mostra. Quem decide é a equipe.

## Necessidades por papel

Cada pessoa da clínica usa o sistema de um jeito, e a escolha só funciona se todas as rotinas forem testadas. Comece listando, por papel, o que precisa ser feito em um dia comum.

**Aplicação.** A aplicadora registra tentativas ao lado da criança, muitas vezes no tablet, às vezes sem rede boa. Precisa de poucos toques por tentativa, de uma legenda de ajuda que não varie de pessoa para pessoa e de uma forma de registrar recusa, pausa e sinais de desconforto sem atrapalhar a sessão.

**Supervisão.** Precisa ver as séries por alvo, com fases marcadas, sessões em branco como em branco e a versão da legenda de cada folha. Precisa também corrigir registro com rastro, sem apagar a versão anterior, e deixar anotado o que decidiu e por quê.

**Coordenação.** Precisa saber quem tem acesso a quê, quais crianças estão com a revisão do plano vencida e quais sessões estão sem conferência. A coordenação raramente precisa ver o conteúdo clínico de cada tentativa.

**Recepção e financeiro.** Agenda, presença, guias e cobrança. Em geral, não precisam de dado clínico, e um bom sistema separa essa visão da clínica por perfil de acesso.

**Família.** Se o sistema oferece acesso à família, pergunte o que ela vê: o plano, os gráficos, as anotações da sessão? Quem escolhe o que é compartilhado? Mostrar tudo nem sempre ajuda a criança, e o que sai da clínica precisa ter finalidade.

## Checklist: critério, pergunta e prova

A tabela abaixo é um ponto de partida. Cada linha traz o critério, a pergunta para a demonstração e a prova a pedir. Pese cada critério conforme a realidade da sua clínica: uma clínica pequena com um único espaço pesa o offline de outra forma que uma rede com várias unidades.

| Critério | Pergunta para a demonstração | Prova a pedir |
|---|---|---|
| Funciona sem internet? | O que o aplicativo faz quando a rede cai no meio da sessão? | Registrar uma sessão em modo avião e ver como ela sincroniza depois |
| Exporta tudo? | Que formatos saem, e com quais campos? | Um arquivo de exportação de um caso de teste, aberto por você |
| Definição de ajuda | A legenda é da clínica ou fixa do sistema? | Alterar uma legenda e ver como as folhas antigas ficam |
| Dado ausente | Sessão sem coleta vira branco ou zero? | Criar uma sessão sem coleta e ver o gráfico e a média |
| Correção com rastro | Quem corrige, e a versão anterior continua visível? | Corrigir um registro e abrir o histórico |
| Gráfico | Marca fase, data e motivo da mudança? | Registrar uma mudança de fase e conferir o gráfico gerado |
| Perfis de acesso | Cada papel vê só o necessário? | Entrar como recepção e tentar abrir uma folha clínica |
| Dado de criança | Onde ficam os dados e quem opera o serviço? | Contrato, política de privacidade e lista de operadores, por escrito |
| Saída | O que acontece com os dados se a clínica sair? | Prazo e formato de devolução, por escrito |
| Convênio e TISS | O que exatamente o sistema faz? | Um PDF, um XML ou uma transmissão, conforme a promessa, com dados de teste |

Duas linhas pedem cuidado especial. "Dado ausente" é onde muitos erros de leitura nascem, como explica o guia de [coleta de dados em ABA](/blog/coleta-de-dados-aba): sessão sem coleta tem que ficar em branco, não zero. "Definição de ajuda" liga com a legenda da clínica, tema do guia sobre [hierarquia de dicas](/blog/hierarquia-de-dicas-aba).

## Offline e conflito

"Funciona offline" pode querer dizer coisas muito diferentes: abrir a folha sem rede, registrar sem rede ou sincronizar sem perder nada depois. Só a prova mostra qual delas o sistema faz. O teste é simples: coloque o tablet em modo avião, registre uma sessão inteira e religue a rede.

Observe três coisas. O registro feito sem rede continua lá quando o aplicativo é fechado e aberto de novo? Ele chega ao servidor, e a hora que fica registrada é a da tentativa ou a do envio? E se duas pessoas editarem o mesmo registro, uma sem rede, o que acontece: o sistema avisa o conflito, fica com a última edição ou perde uma delas em silêncio?

A resposta ao conflito importa mais do que parece. Perder um registro sem aviso é o tipo de falha que ninguém percebe até o gráfico não bater. Peça para ver o aviso, ou o rastro, quando o conflito acontece.

## Dados de criança e LGPD

A criança atendida em ABA gera dado de saúde, e dado de saúde é dado pessoal sensível pela Lei 13.709/2018 (LGPD), art. 11. O art. 14 da mesma lei regula os dados de crianças e adolescentes, que devem ser tratados em seu melhor interesse. O sistema que a clínica escolhe passa a guardar isso.

As perguntas são práticas. Onde os dados ficam armazenados e quem opera o serviço? Quem, dentro do fornecedor, pode ver um registro clínico, e em que situação? O sistema mantém registro de quem acessou o quê? O contrato diz o que o fornecedor faz e o que não faz com os dados? Se o sistema usar recursos automatizados sobre o texto clínico, a política deve dizer quais são e com quem os dados são compartilhados.

A prova é documental: contrato, política de privacidade e relação de operadores, lidos por quem responde pela proteção de dados da clínica. Uma página de marketing dizendo que o sistema é seguro não é prova. Na folha e na tela, a criança aparece por iniciais ou código do caso, mesmo nos testes.

## Exportação e saída

A clínica precisa poder sair com os seus dados. Antes de contratar, peça um arquivo de exportação de um caso de teste e abra: ele traz as sessões, as tentativas com o nível de ajuda, as correções com data, as legendas e as fases, ou apenas um resumo? Em formato que outro sistema ou uma planilha consiga ler?

Pergunte também o que acontece no fim do contrato. Por quanto tempo os dados ficam disponíveis, em que formato são devolvidos, quando e como são apagados do fornecedor e se existe cobrança para isso. As respostas devem estar no contrato, e não só na conversa comercial.

O prontuário tem prazo de guarda previsto em lei (Lei 13.787/2018), e as normas profissionais, como a Resolução CFP 001/2009, alterada pela 005/2010, tratam do registro documental para psicólogas e psicólogos. Quem sai de um sistema precisa conseguir cumprir esses prazos, o que a assessoria jurídica da clínica deve conferir caso a caso.

## Custo total

O preço de um software ABA não cabe numa linha. Os modelos de cobrança mais comuns variam a unidade que se paga, e a conta da clínica muda conforme a unidade escolhida.

- **Por profissional:** paga-se por pessoa com acesso. Fica caro quando há muitas aplicadoras e poucas crianças por pessoa, e barato no caso contrário.
- **Por criança:** paga-se por criança ativa. Pesa mais para clínicas com muitos atendimentos curtos ou rotatividade alta.
- **Por porte da clínica:** faixas por número de profissionais ou de crianças, às vezes com mínimo mensal.
- **Combinações:** valor-base mais adicionais por módulo, por unidade ou por armazenamento.

Para comparar, faça a conta com a sua clínica real: quantas aplicadoras, quantas crianças, quantas unidades, quantos supervisores. Some o que costuma ficar de fora: implantação, migração de dados, treinamento, suporte, módulo de convênio e a exportação na saída. Pergunte o que acontece com o preço quando a clínica cresce, e se a cobrança continua para quem pausou o atendimento.

Teste gratuito não é plano gratuito. O primeiro tem prazo, o segundo tem limites. Em ambos, pergunte o que fica de fora (número de crianças, exportação, suporte) e o que acontece com os dados ao fim do período.

## Convênio e TISS

"Suporta convênio" não é uma resposta. A ANS publica o Padrão TISS, de que a tabela TUSS faz parte, e há ao menos quatro coisas diferentes que um sistema pode estar prometendo, cada uma com uma prova própria.

| O que se diz | O que pode significar | Prova a pedir |
|---|---|---|
| Gera PDF | Um documento formatado com campos da guia | O PDF de um caso de teste, conferido contra o modelo da operadora |
| Possui código | A tabela de procedimentos está cadastrada | A versão da tabela e a data da atualização |
| Exporta XML TISS | O arquivo é produzido no padrão | O XML de um caso de teste, validado contra o esquema publicado |
| Transmite à operadora | O envio é feito pelo sistema | Protocolo de uma transmissão de teste e o retorno da operadora |

Uma coisa não implica a outra. Um sistema pode gerar um PDF bonito e não exportar XML, ou exportar XML sem que nenhuma operadora o aceite. A aceitação é da operadora, e cada uma tem as suas regras. Pergunte também quem cuida de glosa e de retorno, e peça que o fornecedor diga o que foi testado, com qual operadora e em qual data.

O que o sistema faz com o convênio é administrativo. A escolha do que se faz em atendimento, e do que se documenta para fundamentar o pedido, é clínica e da equipe responsável.

## Teste com dados sintéticos antes de migrar

Rode o sistema com dados inventados antes de colocar um caso real. Crie uma criança fictícia, com iniciais e código, um programa com alvos, uma linha de base, algumas sessões, uma sessão sem coleta, uma correção e uma mudança de fase. Deixe as pessoas de cada papel executarem a rotina.

O teste serve para comparar o que o gráfico mostra com a conta que você faz à mão. Se 7 respostas independentes em 10 oportunidades não aparecem como 70%, ou se zero oportunidades aparecem como 0% em vez de "não calculável", o sistema está lendo os dados de um jeito que a clínica não quer. A conferência com a planilha da própria equipe é a prova mais barata e mais confiável que existe.

Só depois migre. A migração tem que ter uma amostra conferida: compare um caso antigo, número a número, antes e depois. Guarde o original até a conferência terminar e registre a data em que a clínica decidiu trocar de sistema, e quem decidiu.

Para quem ainda registra em papel ou planilha, a [folha de registro](/ferramentas/folha-de-registro-aba) e a [ferramenta de gráfico](/ferramentas/grafico-aba) servem como referência de estrutura para a comparação. Os demais textos da série estão nos [guias de ABA](/guias-aba).

## E o Sinthoma?

A Edição ABA do Sinthoma, para clínicas com supervisão e equipe de aplicação, está em construção. O que já existe para a conta comum é o prontuário para a abordagem de análise do comportamento, descrito na página de [prontuário para análise do comportamento](/prontuario-para/analise-do-comportamento). O andamento da edição fica na página [Edição ABA](/aba). Use o mesmo checklist acima para avaliar o Sinthoma, e peça as provas.

## Perguntas frequentes

### Qual software ABA é gratuito?

Este guia não indica produtos. Ao avaliar qualquer oferta gratuita, pergunte o que é gratuito: número de crianças, de profissionais, exportação, suporte e tempo de uso. Pergunte também o que acontece com os dados quando o limite acaba. Gratuito sem exportação completa é uma forma de ficar preso a um sistema.

### Teste grátis é plano gratuito?

Não. Teste grátis tem prazo e depois exige contratação ou deixa de funcionar. Plano gratuito não vence, mas tem limites. Antes de usar dados de crianças em qualquer um dos dois, leia o contrato e a política de privacidade e teste com dados sintéticos, porque o que for inserido precisa ter regra de saída.

### Como comprovar offline?

Coloque o aparelho em modo avião, registre uma sessão inteira e religue a rede. Confira se o registro permaneceu depois de fechar e abrir o aplicativo, se chegou ao servidor com a hora da tentativa e como o sistema resolve a edição simultânea. Se o fornecedor não permitir o teste, trate o recurso como não comprovado.

### Software médico genérico atende ABA?

Pode servir para o registro textual e a agenda, mas é preciso testar o que a ABA exige: tentativa com nível de ajuda, denominador, sessão em branco, séries por alvo e fases no gráfico. Se esses itens não existem, a equipe acaba usando planilha ao lado, e os dados ficam em dois lugares.

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